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MASCULIDADE NEGRA E AFETO

  • Foto do escritor: Richard Santos
    Richard Santos
  • 2 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 28 de jun. de 2025



Por Richard Santos
Por Richard Santos

A discussão sobre masculinidade tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente com a popularização do termo "masculinidade tóxica". Essa expressão, embora útil para identificar comportamentos prejudiciais associados à imposição de normas rígidas de gênero, também  tem gerado um debate intenso sobre o que significa ser homem na sociedade contemporânea. É importante, no entanto, destacar que nem toda masculinidade pode ser rotulada como tóxica, especialmente quando olhamos para a diversidade de experiências masculinas, como a da masculinidade negra e as relações afetivas entre homens, pais e filhos, e amigos.


A masculinidade negra, em particular, carrega uma carga histórica e cultural única que muitas vezes é ignorada nas discussões mais amplas. Homens negros enfrentam historicamente uma série de desafios específicos, como o racismo e a estigmatização daí advinda, que reforça estereótipos de agressividade e violência. Esses estereótipos, por sua vez, dificultam a  expressão de afetos e emoções, perpetuando a ideia de que a masculinidade negra é sinônimo de dureza e insensibilidade. No entanto, essa visão é reducionista e desumanizadora. Há inúmeros exemplos de homens negros que expressam uma masculinidade saudável e afetiva, seja no cuidado diário com seus filhos, no apoio emocional aos amigos ou na construção de comunidades que valorizam o respeito e o afeto. É deste prisma que sempre me questionei esta redução de que toda masculinidade seria tóxica. Não é.


As relações entre pais e filhos são um campo fértil para examinar como a masculinidade pode ser expressa de maneira não tóxica. Homens que assumem papéis de cuidado ativo com seus filhos, que mostram carinho e que estão emocionalmente presentes, desafiam a noção de que masculinidade é incompatível com a sensibilidade. Esse tipo de paternidade afetiva é essencial não apenas para o bem-estar das crianças, mas também para a desconstrução de normas de gênero rígidas que limitam tanto homens quanto mulheres.


A amizade entre homens também oferece uma perspectiva importante. Em muitas culturas, a expressão de afeto entre amigos do mesmo sexo ainda é vista com desconfiança, associada a uma suposta fragilidade ou perda de masculinidade. No entanto, quando homens se permitem demonstrar afeto e apoio emocional uns aos outros, criam laços mais fortes e uma rede de suporte que é crucial para a saúde mental e emocional. A masculinidade, nesse sentido, não precisa ser sinônimo de isolamento emocional ou de competitividade constante; ela pode ser vivida como uma experiência de parceria e solidariedade.


Para que essa visão mais ampla e saudável da masculinidade se torne predominante, é necessário que a afetividade masculina seja mais valorizada e disseminada socialmente, publicamente, insisto. Isso significa desafiar os estereótipos que ainda permeiam as representações de homens, em especial os negros, na mídia, na educação e nas relações interpessoais. Um mundo onde a afetividade entre gêneros variados é mais aceita e incentivada tende a ser mais harmonioso, pois permite que todos — homens, mulheres e pessoas não-binárias — se expressem de maneira plena e autêntica, sem as amarras de normas de gênero limitantes.


Promover uma masculinidade que valoriza o afeto e a empatia é um passo crucial para a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada, onde a diversidade de experiências de gênero possa florescer sem preconceitos ou limitações. Assim, a verdadeira essência da masculinidade pode ser resgatada, não como uma fonte de opressão, mas como uma força que contribui para o bem-estar coletivo.

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