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Homens Negros "Não" Sentem Dor !

  • Foto do escritor: Tiago Azeviche
    Tiago Azeviche
  • 30 de set. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 1 de out. de 2025

Homens Negros SIM Sentem Dor!


 


Por Tiago Azeviche 30 de Setembro de 2025


Coloquei o chamado nas rede sociais para chamar atenção mesmo pois esse texto traz contribuições importantes e Sim HOMENS NEGROS SENTEM DOR !


Há muito tempo venho tentando escrever sobre a dor. Para mim, é um dos pontos que declaram e desafiam a nossa capacidade de sermos vulneráveis de forma real, falo de dor física, ela apresenta o sinal de alerta sobre a gravidade da enfermidade, que uma dipirona ou paracetamol pode não resolver.


Refleti bastante antes de escrever, por medo de parecer fraco ou que reclama de uma dorzinha a final. Eu sou “Negão” desse tamanho, como assim sinto dor?


Foi com esse argumento que me calei na última consulta ao dentista em uma emergência odontológica, pois por sensibilidade em uma região ao beber água quando me incomodou além do normal por horas, então fui a emergência odontológica para ver o que era, esperei por longas duas horas e trinta minutos 2:30 e ao ser recebido pelo dentista relatei a situação, logo ele indicou um raio-x da região, após a chegada do raio-x iniciou o procedimento com anestesia, bateu com um instrumento em diversos dentes e gengiva, e depois;


Ele perguntou no dente acusado se sentia dor.


Eu: respondi que leve, mas sentia.


Ele: disse já passou 5 minutos (pelo tempo estava demorando).


Mesmo assim, ele iniciou o procedimento, raspou uma parte. Eu senti de leve, daí ele foi mais uma vez à região, eu reclamei, pois doeu para ca#¨*#o.


Ele me tocou e disse: você um cara desse tamanho não aguenta uma dorzinha.


Olhei mais firme me segurei na cadeira, e calado aguentei a dor, que me fez lembrar por que resisti tanto em ir quando ainda adolescente ao dentista, e que essa não foi a primeira vez, na hora ele finalizava a lágrima de dor, vergonha e raiva caiu, senti muita raiva ele receitou uma dipirona de 1 um grama e outros especialistas para fazer outros procedimentos.


Mesmo após esses 20 minutos desse horrível atendimento sente a boca em fim dormente, pedi o Uber e no caminho lembrei quando aos 14 anos fui com meu irmão e uma médica tirou meu dente com um alicate grande, me balançou na cadeira ainda colocou os pés para fazer força, mesmo gritando sentindo cada movimento que ela fazia, não parou seguiu até tirar um gigante de minha boca, sensação horrível, olhei para meu irmão ele tinha uma cara de assustado ela seguiu, fugi dela várias vezes até conseguir que mudássemos de dentista.


Desde esse tempo fico analisando as relações que a sociedade força que homens, sobre tudo nós negros suportemos as dores de maneira muito desumana. Reclamar nos coloca no limbo social ditado por uma memória de herança ainda escravocrata, se bem notarmos.


Outro relato esse que quase me levou a morte foi ano de 2023, os sintomas febre, dor no corpo e forte dor de cabeça apareceram depois 5 dias após minha chegada de viagem, na véspera do ano novo tentei ser atendido em hospitais particulares para ser mais rápido todos fechados para emergência, apenas consegui numa UPA perto de casa após relatar meu quadro de fraqueza, náusea, febre e dores intensas a médica de plantão tocou na minha barriga, mandou eu respirar, disse que é a uma virose que todos estavam tendo, relatei que havia chegado de longa viagem, 48 horas depois descobrimos havia adquirido malária, versão mais radical delas que é Plasmodium falciparum normal no continente africano, contrai na viagem a Gana.


 Desde que iniciei as reflexões e andanças para discutir nossas masculinidades a fim de debater meios para construções mais positivas, dialogamos sobre o comportamento masculino e em relação ao seu redor, sendo que percebo ainda é precisamos de muita reflexão, como trago na tríade para positivar as masculinidades, no ponto 3 “Dos Outros sobre Nós” percebo que foi construído ‘verdades’ sobre essa lógica do macho.


Há uma pressão social tácita incorporada por nós também que acaba nos desumanizando, não tem lógica sentir dor e calar, esconder, mascarar com uso de remédios, é gritante o número de homens que acessam o sistema de saúde com problemas em estado terminal.


Importante alertar aqui, pois já foi comprovada a predominância em pessoas negras de algumas comorbidades como pressão alta, anemia falciforme, também a maior possibilidade de desenvolver o câncer de próstata em homens negros, há uma pesquisa que relata o pouco uso de anestésico em mulheres negras e pardas na hora do parto, nordeste tem os índices altos de amputações de pênis pelo acontecimento de câncer de pênis.

 

Sempre ouço a piada sobre o exame de próstata, a famosa e temida “Dedada”, jocosa forma de falar sobre esse importante exame, frequentemente repetida nas redes sociais como também na televisão, essa piada do vai tomar uma dedada quando? Qual o tamanho do dedo do médico? Esse comportamento da sociedade, que é machista, homofóbica e racista, reflete na forma como é desconstruída a relevância do exame.


Para iniciar vivências positivas das masculinidades nesse campo mesmo com campanhas de conscientização para o exame como novembro azul, precisamos diariamente rever como é tratado o homem no acesso à saúde, desde uma dor de dente ao diálogo sobre a importância de exames complexos quero contribuir para nós homens com esse texto, para que a gente continue acessando, buscando o cuidado preventivo com a saúde e do sistema um acolhimento humano próximo e formativo de homens.

 

Texto escrito por Tiago Azeviche


 
 
 

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